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“A casa”, um surpreendente poema de Mia Couto

Eis um poema de Mia Couto que demonstra  que a alma feminina, de fato, lhe é transparente.

Seria uma alegria se o leitor deixasse, nos comentários, a sua pessoal interpretação do poema.

 

A CASA

Confesso:
Quando a olhei
eu apenas queria, 
em sua boca,
a água onde começa a vida.

E fui num murmúrio:
preciso do teu fogo
para não morrer.
Ela, então,
sussurrou o convite:
vem a minha casa.

No caminho,
porém,
recusou meu braço,
esfriou o meu alento.
E corrigiu-me assim o intento:
não te quero corpo,
nem quero o fogo do leito,
nem o frio do adeus.

Suave murmurou:
levo-te,
homem,
a minha casa
para aprenderes a ser mulher.
Que nenhum outro fim
a casa tem.

Mia Couto

No livro “Vagas e Lumes”, da Editorial Caminho.

Man Booker International Prize será anunciado hoje

Hoje, dia 19 de Maio, será anunciado o vencedor do Man Booker International Prize  será anunciado hoje,  numa cerimônia a  realizar-se  no Museu Victoria and Albert, em Londres. O prêmio foi criado em 1969 e trata-se da primeira vez que um escritor de língua portuguesa está entre os finalistas

Além de Mia Couto, são ainda candidatos ao prêmio: César Aira (Argentina), Hoda Barakat (Líbano), Maryse Condé (Guadalupe), Amitav Ghosh (Índia), Fanny Howe (Estados Unidos da América), Ibrahim al-Koni (Líbia), Lázló Krasznahorkai (Hungria), Alain Mabanckou (República do Congo) e Marlene van Niekerk (África do Sul).

Nenhum dos escritores que integram a lista acima foi nomeado entre os finalistas das edições anteriores.

O prêmio é considerado um dos mais importantes do mundo literário, tendo sido já vencido por nomes como William Golding, Salman Rushdie, Ian McEwan ou Eleanor Catton.

Mia Couto se disse surpreso com a sua nomeação e muito feliz por ao perceber que, dentre os finalistas, há quatro escritores africanos.

Mia Couto se manifesta brevemente sobre questão indígena no Brasil

Há poucos dias o escritor Mia Couto escreveu uma Carta aberta ao Presidente da África do Sul na qual ele alertava o destinatário e, ao mesmo tempo, o mundo inteiro, acerca do genocídio e da xenofobia que vitimavam moçambicanos no referido país vizinho.

Essa mesma preocupação humanitária de Mia Couto também foi explicitada quando, em visita ao Brasil, em 2012, fora convidado a manifestar-se sobre o genocídio dos índios Guarani-Kaiowá.